domingo, 21 de março de 2010

Viva a Cultura Internacional!

Essa semana um fato curioso me chamou atenção e me deu inspiração para esse post. Dia 17/03 é quando se comemora o Dia de São Patrício, mais conhecido com St. Patrick's Day, em diversos países. A data de origem na cultura irlandesa é celebrada das mais variadas formas nos países que a incorporaram.
Ano passado tive a sorte de poder participar dessa festa e ver de perto como tudo acontece: as paradas nas ruas, as festas nos Irish Pubs, as pessoas vestidas de verde, bebida à beça, pessoas se divertindo como podem. Esse ano bateu uma certa nostalgia e quis relembrar. A noite iria para um Irish Pub no Rio de Janeiro, onde a data também era celebrada. Eis que tive a brilhante idéia de "twitar" Happy St. Pratrick's Day.
Para minha surpresa recebo algumas mensagens dizendo que "brasileiro comemorando St Patricks day é tão idiota quanto um inglês comemorando feriado de Zumbi" (?!), que "soh falta comemorarmos o 4 de julho... ¬¬" ou que "não é ufanismo, mas comemorar datas norte-americanas (não era irlandesa?) era uma palhaçada". Bom se isso não é ufanismo, por favor me digam o que é.
 Movimentos para valorização da cultura nacional e total aversnão à cultura estrangeira não faltam por aí. Um deles é o MV Brasil, que é bastante radical. Em uma das campanhas sugerem que o brasileiro adote expressões como "correio eletrônico" no lugar de "e-mail" e "entrada" no lugar de "drive thru". OK! Isso quer dizer que devemos abolir também o filet mignon, o poster, a maionese, o abajour, o xampú e tantas outras milhares de palavras incorporadas de outros idiomas?
Em outra campanha eles pregam renúncia ao Halloween e valorização da cultura nacional. Será que uma coisa elimina a outra? Passamos nossa infância assistindo filmes, seriados e desenhos norte americanos que têm como pano de fundo sua cultura, que muitas vezes já está incorporada à nossa. Oras, se o Brasil é um país colonizado e que se orgulha de ter um sincretismo cultural dos mais ricos, não há justificativa de sermos ufanistas ao ponto de não reconhecer algo que seja construtivo cultural, intelectual, tecnologica ou cientificamente e que possa nos ajudar a evoluir ainda mais. Muita gente não sabe, mas o carnaval como festa não é tipcamente brasileiro (é francês), só para citar a data "mais brasileira" de todas.
De onde vem a tecnologia dos carros que consumimos? E o Mc Donald's? E o All Star? Ou o Nike, a Sony, a Microsoft e a Coca-Cola? Até os aviões. Que ainda que feito pela primeira vez por um brasileiro, hoje é fabricado na França (Airbus) e nos EUA (Boeing), sendo seguidos de longe pelo Brasil (Embraer). Ignorar tudo isso seria como regredir e nos tornarmos um país como Cuba há poucos anos atrás, que não permitia muita influência externa e o que se via é um país atrasado, com pouco desenvolvimento, tecnologia defasada e alto custo de vida. Mas com a saída de Fidel, até eles estão se dando conta que esse não é o caminho.
Fato é que comemorar uma data que acho interessante, que já tenha vivido ou não, e que tenha qualquer significado para mim, não vai me tornar menos brasileiro. A globalização é uma realidade e só quem tem a mente muito atrasada em alguns aspectos não notou isso ainda. Seja o St. Patrick`s Day, o Halloween, o Dia de Ação de Graças ou a Oktober Fest. Posso ser brasileiro, mas sou também um cidadão do mundo. E parafraseando o MV Brasil: Viva a cultura interncional!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Haiti - realidade humana

Na universidade tive o azar de estudar uma disciplina por duas vezes (por ter ficar reprovado), mas a sorte de ter seu conteúdo analisado duplamente. Teoria política me fez entender como de fato funciona a realidade humana, que às vezes nos parece de tão clara compreensão, mas na realidade contém grande complexidade e ao mesmo tempo facilidade de equação.
Autores como Hobbes, Maquiavel (aquele mesmo que originou o termo "maquiavélico"), Locke, Rousseau, Tocqueville, Marx, entre outros, me fizeram refletir como somos todos tão instintivos e condicionados.


A recente tragédia no Haiti, que já é vista como a maior que a ONU já enfrentou, superando até o Tsunami de 2004, me possibitou ver tudo isso na prática. Irmão mata irmão por comida, vidas humanas são deixadas para trás, em vista de tantas outras que, não se sabe porque, foram privilegiadas e escolhidas para serem mantidas. Depois de quase duas semanas do terremoto de grau 7 na escala Richter, ainda há gente sendo resgatada com vida, mas agora isso não é mais possível. As buscas foram suspensas.


Isso me faz lembrar também da obra de José Saramago, "Ensaio sobre a cegueira", no qual cada um tem que cuidar da própria vida na selva de pedras em que se encontram vivendo após a epidemia de cegueira branca. Corpos jogados pela rua, pessoas com comportamentos animalescos, enlouquecidas, saqueando e dando tiros, tentando garantir pelo menos alimentação, são alguns dos exemplos do caos que se instaurou por lá e da falta do mínimo de dignidade que cada ser humano merece.


A verdade é que os haitianos precisam de amparo acima de tudo. O mundo deles precisa ser totalmente reconstruído. Acho válido todos os esforços financeiros que estão sendo feitos para ajudar. Isso será primordial nessa reconstrução e garantia de muitos elementos presentes na declaração universal dos direitos humanos.
Um dos países mais pobres do mundo e mais afetados pelo aquecimento global, o Haiti se vê como uma criança que acaba de ficar órfã de pai, mãe e de todos os seus referenciais. E nessa situação apenas dinheiro para pagar suas contas, moradia, comida e educação não seriam suficientes. O que essa criança precisa é de VIDA, de carinho, de um sentido para viver. E é isso que precisamos dar aos nosso irmãos haitianos.


PS: E o pior de tudo é ter que aturar um idiota de um cônsul sem um pingo de amor humano tem coragem de falar. Esse cara não merece nem estar vivo. Troco a vida de mil como ele pela da Zilda Arns.