domingo, 24 de janeiro de 2010

Haiti - realidade humana

Na universidade tive o azar de estudar uma disciplina por duas vezes (por ter ficar reprovado), mas a sorte de ter seu conteúdo analisado duplamente. Teoria política me fez entender como de fato funciona a realidade humana, que às vezes nos parece de tão clara compreensão, mas na realidade contém grande complexidade e ao mesmo tempo facilidade de equação.
Autores como Hobbes, Maquiavel (aquele mesmo que originou o termo "maquiavélico"), Locke, Rousseau, Tocqueville, Marx, entre outros, me fizeram refletir como somos todos tão instintivos e condicionados.


A recente tragédia no Haiti, que já é vista como a maior que a ONU já enfrentou, superando até o Tsunami de 2004, me possibitou ver tudo isso na prática. Irmão mata irmão por comida, vidas humanas são deixadas para trás, em vista de tantas outras que, não se sabe porque, foram privilegiadas e escolhidas para serem mantidas. Depois de quase duas semanas do terremoto de grau 7 na escala Richter, ainda há gente sendo resgatada com vida, mas agora isso não é mais possível. As buscas foram suspensas.


Isso me faz lembrar também da obra de José Saramago, "Ensaio sobre a cegueira", no qual cada um tem que cuidar da própria vida na selva de pedras em que se encontram vivendo após a epidemia de cegueira branca. Corpos jogados pela rua, pessoas com comportamentos animalescos, enlouquecidas, saqueando e dando tiros, tentando garantir pelo menos alimentação, são alguns dos exemplos do caos que se instaurou por lá e da falta do mínimo de dignidade que cada ser humano merece.


A verdade é que os haitianos precisam de amparo acima de tudo. O mundo deles precisa ser totalmente reconstruído. Acho válido todos os esforços financeiros que estão sendo feitos para ajudar. Isso será primordial nessa reconstrução e garantia de muitos elementos presentes na declaração universal dos direitos humanos.
Um dos países mais pobres do mundo e mais afetados pelo aquecimento global, o Haiti se vê como uma criança que acaba de ficar órfã de pai, mãe e de todos os seus referenciais. E nessa situação apenas dinheiro para pagar suas contas, moradia, comida e educação não seriam suficientes. O que essa criança precisa é de VIDA, de carinho, de um sentido para viver. E é isso que precisamos dar aos nosso irmãos haitianos.


PS: E o pior de tudo é ter que aturar um idiota de um cônsul sem um pingo de amor humano tem coragem de falar. Esse cara não merece nem estar vivo. Troco a vida de mil como ele pela da Zilda Arns.